domingo, 30 de março de 2014

Azul

Mensagem postada ontem pelo grande João Barone (para quem não sabe, lendário batera do Paralamas do Sucesso). A internet e, particularmente, as redes sociais são mesmo uma "faca de dois gumes" para as marcas: por um lado, são fontes de dados e de informações preciosas (de pesquisas, inclusive) e ferramentas indispensáveis para relacionamentos mais próximos, intensos e personalizados com os consumidores. Também são canais valiosos para expressarem o branding. Por outro lado, apresentam uma predisposição maior de expor as marcas numa frequência mais negativa em função da sua crescente democratização. A bola, assim, está com os consumidores. E isso é bom! Faz (ou pelo menos, tende) as marcas saírem de suas zonas de conforto. Também há o lado exponencial. Dependendo do autor, as postagens costumam causar estragos. No caso do Barone, nem tanto. São cerca de 10.000 seguidores. Tem muita gente com mais de 100 mil. Sem contar os retwittes...


E aí você pode fazer tudo certinho, mas se o "freguês" sentir um mau hálito da mocinha do balcão de atendimento na companhia aérea, é bem capaz de ir parar no Twitter ou no FB. Paciência! São as dores do parto e os seus efeitos colaterais. Até o maior dos exigentes já sabe: não há empresas perfeitas. Você melhora aqui e ali, mas nunca chega à perfeição. Mas a busca tem que continuar sempre. Essa é a sacada! A internet é uma plataforma trabalhosa e soluções padronizadas costumam não funcionar. Por isso, é fundamental a marca tentar separar o joio do trigo, o relevante do irrelevante, os comentários honestos dos de procedência duvidosa, etc., e fazer a gestão da crise. Conversar com os internautas, dar feedback, satisfações e explicações. E, se for o caso, comprometer-se com sugestões, melhorias e mesmo pedir desculpas. Com a naturalidade de um cafezinho na Casa do Pão de Queijo. A transparência, a honestidade e a disposição contam pontos para a marca. E não só na internet, claro!

No mais, procurar fazer a lição de casa da melhor maneira possível. Cumprir o que prometeu, evitar surpresas desagradáveis (ao que tudo indica, a Azul não conseguiu) e usar as mídias digitais para expressar adequadamente o set de branding. Mesmo com todos os riscos envolvidos, os investimentos nessa área normalmente compensam. Em suma, menos publicidades auto-elogiosas e mais conversa olho-no-olho (ou tela-na-tela).

quinta-feira, 27 de março de 2014

Marisa



Saiu hoje no Portal de Branding: Marisa começou a vender artigos de cama, mesa e banho pela internet. Detalhe: só pela internet. Já me manifestei sobre o tema "extensão de linha" aqui no blog, mas é sempre bom revisitá-lo quando pertinente. Extensão de linha implica alguns riscos inerentes. Dentre eles: mais gente (leia-se produtos e serviços) dividindo a verba de marketing, mais gente chamando a atenção do pessoal de pesquisa e desenvolvimento, mais gente tirando o foco da área de vendas, além da natural ameaça de confundir o entendimento e a percepção dos consumidores com a marca, quando previamente estabelecidos. Por isso, todo cuidado é pouco. Acredito somente em um argumento para seguir em frente com uma empreitada como essa: o produto pretendido precisa apresentar boa sinergia com a essência da marca (sua visão, missão e valores). Uma vez esse set de propostas bem assimilado pelo povão, os marketeiros (e empresários, CEO, etc.) de plantão precisam conter as suas ansiedades. A ganância pode sair caro e, inclusive, prejudicar o core business original. Aí mora o perigo. Pois bem, uma das frases de impacto da marca encontrada em seu site: "A Marisa oferece às mulheres soluções completas em moda. Nossa equipe de estilo e produtos está sempre atualizada com as novas tendências e conceitos de moda e comportamento no mundo". Notem: não é mencionada a palavra "roupas". Esta está inserida no contexto. Assim, entendo que, neste caso, a marca não está ferindo a sua essência. Artigos de cama, mesa e banho tem boa sinergia - sim - com moda e mulheres. Neste caso, então, por que não? Além disso, o fato de começar com um canal de vendas já consagrado da empresa (lembremos que o e-commerce da Marisa é um dos maiores cases de sucesso no assunto) evitando, à princípio, investimentos consideráveis em merchandising no PDV e nas mídia tradicionais, grandes espaços e estoques nas lojas físicas, foi uma estratégia inteligente de iniciar esse jogo. Outros fatores influenciam também, claro. Vamos acompanhar a evolução. No entanto, aproveitando o ambiente e seguindo essa mesma linha de raciocínio, a insistência em manter no portfólio da marca "Moda Masculina" é de uma bobagem plenamente desnecessária.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Red Bull - Parte 2

De novo ela.
Incredible! Mas, tratando-se da Red Bull, não surpreende.
"The best propaganda is not a propaganda"




sexta-feira, 14 de março de 2014

Snickers

Nada do outro mundo, mas achei a sacada bem bacaninha. Tanto que me chamou a atenção na boca do caixa (de uma loja especializada em doces finos), o que normalmente não acontece. Dependendo do ângulo, uma imagem diferente da testeira de um display. Obviamente, se a moda pegar, a ideia será copiada. Se já não foi. Infelizmente, muito do merchandising no PDV é copiado mesmo, sem cerimônias. Mas é possível, além do conjunto básico e exclusivo de um produto - naming e embalagem - encontrar, mesmo que temporariamente, boas soluções de exposição/comunicação que diferenciem a marca no ponto-de-venda (ah...boas promoções/incentivos ajudam também, claro). Pontos negativos vão para a sombra da Beth Faria (aliás, por que a Beth Faria, hein?) atrás do rapaz de óculos da primeira imagem - parece que a tecnologia ainda não está totalmente afinada - e os produtos no display que não tem nada a ver com os famosos chocolates Snickers. Eram tintas temporárias para cabelos. Neste caso, faltou promotor(a), fiscalização da marca, orientação à loja ou todas as alternativas anteriores. Um pena, porque um chocolatezinho no check-out tem tudo a ver com compra por impulso.

  

quinta-feira, 13 de março de 2014

Bradesco Prime

Parece que o Bradesco Prime encontrou mesmo o tom adequado para as suas recentes publicidades. O que não é, convenhamos, uma coisa tão simples em se tratando de um segmento como o de bancos. Aqui um exemplo de comunicação alinhado com o que a marca se propõe a fazer. Mas tem que fazer mesmo (não é, TAM?). Seus clientes (ou melhor, stakeholders) estão "de olho". Porque nada pior para a imagem (ou reputação) de uma marca do que promessas não cumpridas. O conceito para o novo posicionamento é "Viver é Prime" e, claro, há várias outras publicidades da marca (para este mesmo conceito) com estorinhas tão simpáticas como essa. Vale a pena conferir!

domingo, 9 de março de 2014

Embelleze

Um pouco atrasado, mas ainda em tempo de separar uma ação bacana realizada em comemoração ao dia internacional das mulheres, ontem portanto. Em resumo, o instituto Embelleze ofereceu diversos serviços gratuitos em suas unidades de atendimento (dentre eles, penteado e maquiagem) e, para participar, a mulherada teria que responder a seguinte pergunta: "Por que as mulheres merecem um dia só para elas?" Além disso, a marca incentivou registros de experiências das clientes nas redes sociais. Já é a terceira edição da campanha e vai se fixando como um encontro tradicional das mulheres com a marca. Ano passado, foram aproximadamente 8.000 presenteadas e a tendência é de crescimento. Todavia, não é, digamos assim, uma "Brastemp" do ponto-de-vista de criatividade - os benefícios são bem previsíveis, a pergunta obrigatória idem e o uso das redes sociais já faz parte, e faz tempo, do cardápio esperado de comunicação - mas não deixa de ser simpática e pertinente. A campanha emprega com sabedoria os três principais pilares de uma boa ação promocional: regras simples, premiação atraente e comunicação eficiente. Só acho que poderiam ter incluído uma ação de responsabilidade social (com meninas carentes, por quê não?). De qualquer forma, acho que a grande sacada da Embelleze foi mesmo transformar a iniciativa em uma oportunidade de marketing de experiência com os seus produtos (serviços). A mulherada não deve esquecer esse agrado tão cedo.      


quarta-feira, 5 de março de 2014

Super Interessante


Super-recomendo uma matéria assinada por Denis R.Burgierman na revista Super Interessante do mês passado. O título é "O mundo está muito complexo". Na internet, pelo que percebi, só para assinantes. Segue a linha de pensamento de um físico americano chamado Yanner Bar-Yam e que nos ajuda a entender um pouco melhor a angústia que muitas vezes sentimos ao nos deparar com tantas informações, novidades, derivações, opções, etc. A tese central é a de que a complexidade tem dois grandes pilares: a escala e a complexidade. Numa analogia ao corpo humano, o primeiro seria o sistema muscular e o segundo o imunológico. Parece que estamos (nós, sociedade) fartos do primeiro e bastante deficientes do segundo. Precisamos, segundo Yam, ser mais flexíveis, autônomos e independentes. Mas também praticar mais a colaboração criativa, o compartilhamento, a atuação em redes e a democracia (não somente a política). O argumento é que, bem mesclado com a velha economia de escala, podemos usufruir de mais momentos de bem-estar. Faz sentido. Por outro lado, gostei também de uma resposta dele sobre a possível existência de um conjunto de "regras simples que nos auxiliem a lidar com a complexidade". Segundo ele, "não há regras simples para lidar com o que é complexo". Óbvio (mas muitas vezes esquecemos o óbvio). Ultimamente a Super me cansou um pouco com tanta cultura inútil e irrelevante mas, vez por outra, aparece com reportagens bem interessantes e úteis como esta. Portanto, vale a pena conferir. Para saber mais sobre este assunto, um link com o artigo do Yam e uma indicação do seu livro: Making Things Work, sem versão em português.

http://www.necsi.edu

Mesmo sendo somente um curioso nessas temáticas, seguem algumas sugestões de livros sobre cenário, filosofia, economia e psicologia que nos ajudam a compreender melhor o mundo em que vivemos.

- O Futuro do Poder (Joseph S.Nye Jr)
- Os Limites do Possível (André Lara Resende)
- Socialnomics (Erik Qualman)
- Florescer (Martin Seligman)
- Amor Líquido (Zygmund Bauman)

Red Bull


A Red Bull é um dos cases mais bacanas de branding porque, podemos dizer assim, a marca foi sendo construída de forma bastante consciente e bebendo (perdoem-me o trocadilho) de algumas das principais fontes do marketing que conhecemos. Isso mesmo, o bom e tradicional marketing que, muitas vezes, é menosprezado e/ou taxado pejorativamente por muitos. Para não alongar muito a história (já bem conhecida da maioria), o seu fundador identificou uma brecha não atendida no mercado europeu, realizou pesquisas para testes de conceito do produto, fez os ajustes necessários, criou uma nova categoria (os energéticos) e investiu muito, mas muito mesmo, em comunicação (e sentido de realização) para se apossar do novo território. Além do fantástico conjunto de naming - nome, slogan, logotipo e símbolo - que está entre os melhores de todos os tempos. O resto é...história.  A marca fatura hoje 5 bilhões de euros - somente 27 anos após a sua fundação - e por meio de apenas três produtos (dois derivando do original). O velho Al Ries assinaria em baixo.

O problema - se é que é um problema - é que, com o passar do tempo (caso seja um sucesso estrondoso), a marca vai sendo incorporada pelos seus fãs. A empresa não tem mais tanta liberdade assim para mudar fórmulas, embalagens, conceitos, percepções, etc. Vira quase uma propriedade de domínio público. Por um lado é até bom. Impede que (ou pelo menos inibe) certos executivos transtornados e/ou com ambições desmedidas estraguem o que foi feito com tanta competência. Por outro lado, o fato é que - e isso foge um pouco do controle das empresas - a marca Red Bull, ao longo dos anos, foi associada pelos seus consumidores e fãs como uma bebida de balada.  E isso vem, compreensivelmente, incomodando os gestores da marca. Não pela balada em si, mas pela associação que se faz de que o produto é um dos ingredientes potencialmente perigosos e estimulantes para deixar a molecada na doideira, no grau, etc. Mais grave ainda é virar sinônimo de combustível (junto com o vovô uísque) para o libera geral, sem medir muito as consequências. Aposto que nada disso passou pela cabeça do Dietrich Mateschitz. A noite é mesmo uma ilusão.

Não por acaso, a marca vem empreendendo grandes esforços nos últimos anos no sentido de desvincular (ou pelo menos, atenuar) a sua imagem de aliada para as baladas mais ousadas e arriscadas. Gigantescos investimentos em marketing (a empresa destina assombrosos 35% do seu faturamento) aproximaram a marca de esportes - radicais ou não - e de atividades culturais. Mas afinal, a marca está certa nesse conjunto de manobras ou deveria apenas manter o pé no já bem percebido conceito de companheira das baladas, tentando meramente administrar essas vinculações mais temidas. Neste caso, entendo eu, está certa em trabalhar nas duas frentes. A categoria energéticos tem tudo a ver com esportes e, por ser considerada alternativa, com cultura também. Ou seja, novos campos a serem explorados sem ferir a essência da marca. E por intermédio de campanhas de consumo moderado e de alertas para os virtuais perigos provenientes de cruzamentos com outros produtos nas baladas, a marca vem conseguindo carimbar claramente a sua posição sobre esse tema também. Coisa de gente profissional. São arquitetos e engenheiros de marcas. Os investimentos são, sem dúvida, elevados, mas plenamente justificáveis. Em suma, sabem o que estão fazendo. A Red Bull deve ser sempre fonte de inspiração e consultas para os estudiosos do branding e do marketing.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Snapchat


Febre nos Estados Unidos, Snapchat é uma rede social no estilo Facebook com a diferença de que os seus amigos só podem ver uma foto ou um vídeo por 10 segundos, no máximo. Depois disso, são automaticamente eliminados do sistema. Sem rastros ou linhas do tempo. Esse modelo de negócio ataca uma dificuldade generalizada e incômoda nos dias de hoje: a privacidade. Promete investir contra os problemas da exposição ilimitada das pessoas e das visitas indesejadas dos abelhudos de plantão. Hoje, se você posta alguma coisa no FB, instantaneamente vira propriedade pública. O Snapchat tem entre os jovens (pré e adolescentes) os maiores usuários da rede. Nenhuma surpresa. Os jovens parecem lidar com mais naturalidade com as coisas descartáveis e preferem se fechar em comunidade entre os seus semelhantes. Em português bem claro, odeiam pais, avós e professores por perto. No Brasil, a rede vem crescendo em popularidade. À conferir. De qualquer forma, é um mais belo exemplo de identificação de brechas inexploradas fundamentada em análises e percepções de dificuldades e necessidades não verbalizadas das pessoas. Se vai realmente tirar o sono do Zuckerberg, só o tempo dirá...

O endereço é: http://www.snapchat.com

Adidas

Como amante do futebol, sou fã da Adidas. Ao lado de marcas como a querida (e sumida) le coq sportif e das "brasucas" Topper e Penalty, é sinônimo de futebol. Pelo menos, para aqueles com mais de 30 anos. A Nike veio depois e as suas origens fortemente ligadas aos Estados Unidos, ao running e ao basquete a fazem, mesmo depois de tantos investimentos, uma espécie de "estranha-no-ninho" no meio do esporte. Ainda não convence.

A Adidas remete a produtos elegantes e de ótima qualidade. A suas três listras são um case a parte no processo de naming da marca. Uma referência, de valor incalculável. As suas camisetas para as seleções, especialmente as da Alemanha e a da Espanha, estão entre as mais belas do mundo. Para mim colocam no "chinelo" a do Brasil-Nike. E aquele azul do Chelsea? Lindo demais. Além disso, também notava na marca uma dose mais intensa de discrição e sisudez, o que para mim, só significava um charme a mais.  

      

Parece que com a proximidade da Copa do Mundo a marca resolveu arriscar mais. Primeiro foi a campanha de lançamento da bola da competição, a Brazuca. Eu, inclusive, elogiei muito essa iniciativa aqui no blog. Mas essa recente série de camisetas de duplo-sentido para a Copa do Mundo foi um desastre. Não havia a menor necessidade de navegar em mares estranhos e repelentes ao perfil histórico da marca.

 

Além de uma estética duvidosa e longe do design costumeiro da Adidas, as mensagens são agressivas, preconceituosas e incentivam o turismo sexual. A reputação que a Adidas sustenta não pode permitir uma pisada na bola desse porte. Lamentável. O mínimo que a empresa deveria fazer é retirar imediatamente essa coleção do mercado, emitir um pedido público de desculpas para os seus fãs, demitir sumariamente o mais criativo que o criador, e usar bastante da sua usual discrição para que todos esqueçam rapidamente essa barbaridade.

Reebok

E da série "Os slogans mais babacas do mundo", segue um dos mais aclamados neste quesito. É de 2012. Não é necessário divagar muito para concluir que a marca recuou. Desaprovação geral mais do que merecida!



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Foto do Dia

Hoje em dia seria inacreditável (além de proibido, claro). O ser-humano tem uma propensão maior a lembrar do que pioramos como sociedade, mas evoluímos em muita coisa também. Aí está uma prova!


Artigo: Reflexões sobre a Inteligência de Mercado

Há uma crescente (e saudável) discussão em torno do conceito e do papel da área de Inteligência de Mercado nas empresas. Até mesmo a nomenclatura parece não ser ainda a definitiva. É relativamente fácil encontrar derivações como Inteligência Competitiva, Inteligência Corporativa, Inteligência de Vendas, entre outras. Também há a parcela (bastante significativa por sinal) de empresas que sequer possuem o mínimo discernimento sobre o conceito e a consciência da sua importância. Obviamente, não surpreende que não invistam em um departamento estruturado para este fim. Além disso, há uma incerteza quase coletiva entre os limites da Inteligência de Mercado (seguiremos com esta nomenclatura no decorrer no artigo) e a da já consagrada, madura e disseminada Pesquisa de Mercado. Afinal, qual é o parentesco entre elas? Trata-se da mesma coisa?

É provável que muitos gestores e a linha de frente analítica e operacional das mais variadas esferas tenham dúvidas ou interpretações diferentes quando confrontados com essas questões. São pertinentes e não estão sozinhos. Até mesmo a academia e os especialistas práticos ainda não chegaram a um termo definitivo. Restam arestas. Crescentes esforços por meio da bibliografia e de escolas especializadas certamente estão contribuindo para o amadurecimento do tema. O horizonte é, logo, positivo. Prova disso é que a liquidez momentânea dessa discussão nos leva a uma corrente de pensamento bastante plausível e coerente, o que nos conforta – mesmo que não inteiramente – como profissionais de marketing. O norte está posto.

Em linhas gerais, Pesquisa de Mercado tem a missão de transformar dados em informações relevantes – e posteriormente em conhecimento – subsidiando decisões táticas e estratégicas dos esforços de marketing (basicamente os velhos 4Ps). Várias metodologias, possibilidades de periodicidades, meios de coletas de dados, origem das informações, entre outras variáveis, são exequíveis. Não entraremos nos detalhes. Mas isso, enfim, não é também Inteligência de Mercado? A resposta é sim. Mas devemos entender este sim como parte do processo de Inteligência de Mercado. Um meio para um bom gerenciamento de IM. Essa é a linha de raciocínio em voga e a mais aceita.

O desafio de Inteligência de Mercado, em última instância, é harmonizar e dosar adequadamente o conjunto de ferramentas tradicionais de Pesquisa de Mercado, encorpando-as com outras variantes como dados do CRM, fontes internas de informações, clipping de procedência jornalística, análises de viabilidade de projetos, monitoramento da concorrência, abordagens multidisciplinares, aspectos da legislação vigente, entre outras e, deste agrupamento, encaixar suavemente o portfolio mais apropriado para as principais necessidades das clássicas fases do planejamento estratégico de uma empresa. Em outras palavras – e de uma forma bem resumida – quais são os mecanismos de IM que podemos oferecer (incluindo Pesquisa de Mercado) para a correta compreensão do cenário competitivo, para a melhor definição do composto do marketing mix (maior retorno com o menor risco) e para o monitoramento das estratégias definidas (metodologias de acompanhamento dos esforços)?

As opções são muitas. Relatórios de tendências, perfis da concorrência, testes de conceito e de posicionamento, estudos de elasticidade de preço, percepção da imagem da marca (checagem do branding), avaliação das estratégias de comunicação, pesquisa de satisfação e lealdade dos clientes/consumidores, quadrantes de valor dos clientes/consumidores alicerçados no CRM, insigths gerados por meio de workshops criativos (ou de inovação), entre outras. O cuidado, reforçando, deve ser sempre cobrir os grandes pilares de mercado, concorrência e clientes – dentro dos limites de custos e prazos da companhia – e sem perder de vista as principais preocupações presentes no planejamento estratégico a serem esclarecidas.

Cases clássicos como a primeira entrada atabalhoada do Walmart no Brasil (estavam tentando vender até tacos de golfe para os brasileiros), a falta de percepção (ou a consciência tardia) da então líder absoluta Nokia no que se referia às reais - e muitas vezes implícitas - necessidades dos consumidores de smartphones, a substituição desastrada da Coca-Cola clássica pela chamada New Coke em meados dos anos 1980 - ignorando completamente os aspectos emocionais, associativos e culturais dos consumidores - mostram a importância concreta da decisão e do decorrente zelo com a qualidade dos relatórios e das conclusões/recomendações que o correto manejamento das técnicas de Inteligência de Mercado pode proporcionar às empresas/marcas. Cabe alertar, em tempo, que IM ou Pesquisa de Mercado previne, orienta e aponta, mas não decide. Alta cúpula e gestores estratégicos devem assumir essa responsabilidade.

Percebe-se, finalmente, a Inteligência de Mercado como uma aliada mais holística do que a Pesquisa de Mercado, apesar do grau de parentesco entre elas ser muito próximo. Enfim, uma função de entrelaçar diferentes técnicas, sendo a maior parte delas no âmbito da Pesquisa de Mercado. Seja qualquer a definição do batismo (naming), o conceito é válido, a necessidade é urgente, a percepção da compreensão e da importância ainda é baixa e o potencial de impacto é enorme. Somente políticas mais consistentes e duradouras de diferenciação por meio da inovação e decisões mais fundamentadas na racionalidade são o que garantirão ventos mais favoráveis para as empresas em um futuro não muito distante. Não tenho dúvidas de que a missão a que se propõe o espectro da Inteligência de Mercado é nobre o suficiente para contribuir de forma relevante neste jogo estratégico sem prazo para terminar.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Mindfulness



Já citei aqui no blog uma tendência ainda meio que silenciosa (mas intensa) no sentido de as pessoas buscarem um equilíbrio maior neste mundo "hiper-conectado-complexo-estressante-e-inundado-de-dados-e-informações". Era óbvio que o ser humano iria gritar em algum momento. É natural diante de suas limitações físicas e mentais. Mas ainda, parece, não encontrou o ponto ideal. Agora a palavrar da moda é "Mindfulness" (até debate sobre o tema em Davos teve neste ano), ou a busca por ferramentas, estratégias ou até mesmo apps (sim, é contraditório) que o levem para pequenas ilhas de meditação e treinamento mental em meio a tantas tempestades e turbulências do mundo moderno. O conceito parece pertinente e promissor, portanto, vale o seu acompanhamento. Mas qual a sua relação com o nosso branding e o velho marketing mix? Aparentemente nada. Porém, se lembrarmos que mudanças no comportamento e nos hábitos das pessoas podem respingar, cedo ou tarde, nas estratégias e nas táticas de marcas dos mais variados segmentos, as nossas antenas tendem a ficar mais sensíveis. Assim, mais sábias as empresas que se anteciparem a essa tendência de mais equilíbrio e qualidade de vida, oferecendo produtos, serviços e práticas sustentáveis/sociais compatíveis com essas expectativas. Afinal, as empresas e suas marcas tem responsabilidades intransferíveis com a sociedade. E as que trabalharem melhor neste sentido, serão devidamente recompensados por ela.

Abaixo o link com o artigo completo. Saiu no site da Folha há duas semanas.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/evgenymorozov

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Volvo

Confesso que nunca tinha ouvido falar da tal de Geely. Para os mais aficionados por carros, isso pode parecer uma heresia. Pois então sou um herético. O fato é que se trata de mais uma das inúmeras marcas chinesas de automóveis crescendo horrores e com apetite (e fôlego) de sobra para dominar o mundo. E qual foi a última da Geely? Comprou a Volvo da Ford. Pode não fazer muito sentido, mas a verdade é que a tal da Geely vende muito mais do que a Volvo no mundo. É certo também que construirão uma fábrica no Brasil (só não se sabe ainda aonde) e abrirão umas duas dezenas de concessionárias num piscar de olhos. Devem concorrer com os médios da Honda e da Toyota. Não estão para brincadeiras. Vamos ver. Eles (chineses) podem fazer de tudo, menos minar um atributo centenário da Volvo: a segurança. A Volvo é sinônimo de segurança (pode não ser exatamente a mais segura, mas o mercado a enxerga assim). Existem certos "atributos-imagens-posicionamentos-etc" que ao longo do tempo - e em razão de grandes esforços de marketing - passam das mãos das empresas para as mãos do mercado - leia-se Clientes (A Coca-Cola conhece bem essa teoria na prática...). E mesmo para quem não consome o produto. Como eu que, longe de poder consumir um Volvo, jamais gostaria de ver a marca com uma peças alternativas de segurança para baratear o preço e, assim, poder vender mais no curto prazo e atender uma meia-dúzia de chineses ambiciosos além-da-conta. À conferir.


Fonte: Portal do Branding

Head and Shoulders

A P&G está rindo a toa.


Não é para menos. As vendas do shampoo aumentaram 15% após a contratação do técnico de futebol Joel Santana (mais conhecido como "pranchetinha" no meio). Obviamente que o seu jeitão bonachão e carismático, a sua popularidade em função de mais de 30 anos de mídia por meio do futebol e, principalmente, o seu inglês pior que macarrônico impulsionaram o conhecimento da marca/produto e, consequentemente, as suas vendas.

Duas observações:

1 - O efeito baseado em piadinhas monotemáticas são, geralmente, de curta validade. Ou muda-se constantemente o figurino/conteúdo (a lá Bombril anos 1980) ou o povo vai se cansar já-já...

2 - O Joel "pranchetinha" simplesmente não tem nada a ver com a imagem da marca Head and Shoulders (Se fosse um produto tipo Palmolive ou Seda, vá lá...). De qualquer forma, pode ser bom no curto prazo mas, do ponto-de-vista de consolidação do posicionamento original da marca no médio e longo prazos, há sérias dúvidas sobre essa estratégia. Como será que a turma daqui conseguiu convencer o pessoal de Cincinnati?

CVS Caremark

Colocando os posts em dia...

Publicado no site da Folha desta semana artigo muito bacana do publicitário Nizan Guanaes.

Mas o tema não foi a última campanha publicitária de sua agência, investimentos em novos negócios de comunicação/entretenimento ou os benefícios da cirurgia de redução do estômago. O tema na essência é branding ou,em outras palavras, o alinhamento das ações do marketing mix da empresa/marca com as suas promessas de missão, visão e valores.


Neste caso, essa disposição significou a redução de U$ 2 bilhões por ano por tirar a categoria cigarros das prateleiras dessa grande rede de farmácias norte-americana. A declaração definitiva foi a do próprio presidente executivo da CVS Caremark: "...a venda de cigarros não combina com os nossos propósitos". Mostrou que é coerente, corajoso e que está antenado com o que a sociedade espera das marcas e da empresas no novo milênio. Belo exemplo!

Abaixo o link para conferir o conteúdo completo da matéria.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/nizanguanaes

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Redes Sociais

Saiu no Adnews desta semana: pesquisa conduzida e revelada pela Socialbakers no último mês de janeiro mostra o desempenho das principais marcas no Facebook, Twitter e YouTube. O que eu mais gostei da metodologia é o comparativo entre os números absolutos versus as taxas relativas de interações e engajamentos (até porque, a parte mais nobre das relações das marcas com essas novas plataformas, penso eu, é a capacidade de criar conteúdos relevantes seguidos de relações duradouras com os seus fãs e internautas como um todo). Sem a publicidade no volante, mas de "carona" nas ações (na verdade, na verdade, as pessoas estão fartas de tanta publicidade auto-elogiosa). Bem leve e sútil. Neste raciocínio, meus parabéns a marcas como Saraiva, Itaú, Nike, Sadia e Alelo. Abaixo o link com os resultados completos do estudo.

http://adnews.com.br/midia/o-desempenho-das-marcas-nas-redes-sociais-em-janeiro

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Ketel One

Uma pequena sátira e uma verdade inconveniente...
E detalhe: a marca não é russa, é holandesa e remonta à 1691.