domingo, 12 de janeiro de 2014

Botafogo e TelexFree

Estava quase esquecendo. Outro dia critiquei aqui o amadorismo do Vasco da Gama no gerenciamento de suas responsabilidades com o seu patrocinador (Nissan) e, por isso, não foi surpreendente e, ao mesmo tempo, muito merecida a rescisão de contrato por parte da montadora.


Aí vem o Botafogo e fecha parceria com um patrocinador com atividades bloqueadas no Brasil desde julho de 2013 por suspeitas de atuar sob esquema de pirâmide financeira. Não há o que justifique (nem uma tonelada de dinheiro) associar uma marca de tanta tradição e grandeza como o Botafogo (mesmo que não fosse tão grande e tradicional assim) a uma empresa aparentemente aventureira e irresponsável. Pode aliviar no curto prazo, mas é certo que a conta vem alta depois. Em Branding (construção de marca), reputação e imagem são a essência do jogo. Parece que esse pessoal do futebol, em particular, não sabe que tem ouro na mão.

Pininfarina

Outra dia assistindo - acho que o programa Mundo S.A da Globo News - vi um pequeno documentário sobre a italiana Pininfarina. Na minha cabeça, era apenas (como se isso fosse "apenas") um estúdio de design a serviço da Ferrari. Na verdade, é muito mais. Trabalha para outras marcas e não fica restrita somente à categoria de automóveis de luxo. Possui uma riquíssima história de mais de 80 anos (projetou até ambulâncias na segunda guerra mundial), mas que quase acabou em 2008 em função da crise financeira global e de problemas familiares. Mas conseguiu se recuperar e, mais do que nunca, continua dando aula de como o design pode agregar valor ao produto e à marca. Um videozinho sobre a Pininfarina. No YouTube, claro, tem mais uns milhares sobre a empresa.

Graciliano Ramos

Reconhecendo a óbvia evolução na lavagem das roupas e aproveitando a mesma analogia e conceito, pois quem sem mete a lançar produtos devia fazer a mesma coisa...

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer." Graciliano Ramos


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Boas Sacadas

Reforçando o artigo publicado três posts atrás, mais dois exemplos da série "inovação-baseada-em-olhares-atentos-de-empreendedores". Não precisa ser Ph.D em business, possuir um MBA em marketing nem lançar mão de pesquisas mega complexas. Apenas um olhar afiado nas dificuldades e/ou ansiedades do dia-a-dia dos clientes/consumidores pode trazer ótimos insights. Também não se espera sempre e somente produtos revolucionários com impacto mundial. Boas sacadas em abrangência mais restrita e com retorno econômico mais modesto ajudam a dar consistência para a marca no médio e longo prazos. Normalmente, e como já dito anteriormente, eles (consumidores) não conseguem expressar essas necessidades em forma de produtos ou serviços por meio de questionários estruturados (do tipo: afinal, o que vocês querem?). Esse exercício de observação e vivência constante no mundo dos clientes/consumidores leva tempo e requer paciência, e pode (na verdade, deve) ser estimulado à todos na organização, independente do porte.

1 - Pneu Blindado 


http://www.estadao.com.br/jornal-do-carro/noticias/carros,produto-promete-blindar-pneu,16613,0.htm


2- Padaria Drive-Thru e que tais...


http://pme.estadao.com.br/noticias/noticias,padaria-drive-thru-pretende-abrir-lojas-perto-ou-dentro-de-estacoes-de-metro,3825,0.htm

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Foto do Dia

A morte aconteceu em 2005. E depois de um longo processo de preservação do corpo, somente agora na estrada a caminho da doação de órgãos e sepultamento. Há menos de 20 anos, essa cena seria inimaginável.




Livros

Sigo o Marcelo Rubens Paiva no twitter. Outro dia, um pouco antes do Natal, ele dedicou um link para dar dicas de livros/autores que ele considera bacanas para ler nas férias (não só nas férias, claro, era só um pretexto). Coincidentemente, eu estava terminando de ler "Serena" de Ian McEwan, um aclamado escritor inglês (vivo), que ele havia indicado. Mas o fato é que me surgiu a ideia de listar alguns livros de branding, marketing e cenário, que contribuíram para o meu desenvolvimento nesses temas (ainda muito longe do ponto ideal). Obviamente, sem a pretensão de ser referência de dicas bibliográficas nos assuntos (como Paiva o é), seguem quinze humildes sugestões:

1 - As Pequenas Grandes Coisas (Tom Peters): das 81 dicas que destaquei da obra, a que eu mais gostei: "o único supera o melhor". Mas as outras 80 (garanto) são tão inspiradoras quanto.

2 - Steve Jobs (Walter Isaacson): OK, é uma biografia autorizada. Mas creia: há muita autenticidade nela. O lado imbecil (principalmente no lidar com as pessoas) e os tombos na carreira do Jobs são bem destacados. Mas, como aula de branding e marketing de produtos, é o melhor que já li.

3 - O Futuro da Administração (Gary Hammel): interessante pelo questionamento inteligente (e bem embasado) aos dogmas tradicionais da gestão. Liderança democrática e autonomia com responsabilidade são a chave para tornar uma empresa única e "inimitável". Um clássico para aspirantes à gestores modernos.
 
4 - Relevância de Marca (David Aaaker): referência em branding, Aaaker defende o conceito de desenvolvimento novas categorias de produtos (e criação de barreiras à concorrência) como "mantra" da gestão estratégica moderna. É bem equilibrado entre exemplos de diversos segmentos de mercado com proposta de metodologia de implementação. Ótimo, mas um tanto "denso".

5 - Brandsense (Martin Lindstrom): já falei desse livro aqui no blog. Bem leve e agradável, mostra como as 5 faixas sensoriais dos seres humanos podem ser bem exploradas pelas marcas. Chamou-me a atenção o potencial desse conceito também para o varejo. Superou minhas expectativas.

6 - A Origem das Marcas (Al Ries e Laura Ries): Al é o craque do posicionamento de marcas. Nessa obra, ele faz uma analogia da gestão de marcas com a teoria da evolução das espécies de Darwin, e defende o conceito de "divergência". Em linhas gerais, você deverá concordar com ele (assim como eu), apenas achei uma bola fora a análise que Ries faz sobre a categoria "smartphones". Mas vale conferir.

7 - Foco DO Cliente (José Carlos Teixeira Moreira): finalmente, um livro brazuca. Para quem trabalha no marketing B2B, é um prato cheio. O autor prega uma proximidade maior com o cliente, estimulando o vendedor a se colocar no papel dele (cliente). Só assim será possível desenvolver ofertas diferenciadas e, portanto, vantagens competitivas duradouras. Apesar de poucos exemplos, o conceito é ótimo.

8 - O Cérebro Criativo (Shelley Carson): com este livro fiquei empolgado ao entender que a criatividade está ao alcance de todos (e não só o carinha-de-criação-com-8-tatuagens-e-brinquinho-e-cabelo-com-topete-até-os-olhos tem esse privilégio). Carson mostra os 7 estados de ativação cerebral que estimulam a criatividade. É só ter disciplina e boa-vontade.

9 - O Futuro do Poder (Joseph S.Nye Jr): livro sobre cenário. A lição aqui é que o poder sempre depende do contexto e que nem sempre ele emana do poderio militar ou econômico. É preciso conquistar corações e mentes (o que ele chama de poder brando). Obviamente, é possível fazer uma analogia com as marcas.

10 - Os Limites do Possível (André Lara Resende): outro livro brazuca, também sobre cenário, é uma coletânea de artigos do autor. Bate forte contra a desigualdade e a favor do respeito aos limites naturais do planeta, por meio de uma governança "supra-nacional". Em outras palavras, o mundo ficando cada vez menos tolerante com business a qualquer custo.

11 - Posicionamento - a batalha por sua mente (Al Ries / Jack Trout): quase auto-explicativo, esse é obrigatório para qualquer aspirante a trabalhar com marketing. Sem mais.

12 - Socialnomics (Erik Qualman): mostra os princípios e o potencial de navegação de uma marca nas mídias sociais (Qualman é o papa do assunto). Em resumo, nessa nova arena é fundamental ouvir, engajar, interagir e reagir a potenciais (e atuais) necessidades dos clientes. Mas, não se iluda: bons produtos e serviços continuam sendo os mais importantes.

13 - Felicidade S.A (Alexandre Teixeira): o autor mostra a importância de ambientes onde reinam estruturas menos rígidas, mais integradoras, nos quais desafios coerentes com competências, feedback constantes, inteligência emocional e meritocracia fazem a diferença para atrair e reter talentos. Em suma, o significado é a nova moeda.

14 - O Poder dos Quietos (Susan Cain): fiquei mais tranquilo ao tomar consciência da importância do rico mundo interno dos introspectivos, e o quanto eles podem ser cruciais (dependendo do contexto) em cargos de liderança, inclusive. Shows de palco, toneladas de sorrisos e bate-papo incansável nem sempre significam sucesso e produtividade. Ótimo livro.

15 - O Estrategista (Cynthia Montgomery): departamentos, processos e rígidos planos de ação girando em torno de uma proposta de valor diferenciada da marca. Gostei muito do case da Gucci.

Para não dizer que tudo são flores, um que eu detestei pela sua incapacidade genuína de acrescentar algo de novo (e relevante) e, principalmente, por ser terrivelmente mal escrito: Marketing Trends 2011 (Francisco Alberto MADIA de Souza). Que não se perca pelo nome...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Desigual

Que susto! Pensei que estariam pelados mesmo. Mas, claro, provavelmente, seriam todos presos por atentado ao pudor. E com razão. Inocência e afobação de minha parte (espero). Saiu no twitter do Estadão de hoje: mais de 12 mil (malucos) ficaram seminus para aproveitar uma promoção da grife espanhola Desigual em suas lojas de diversos países. Sua loja no Brasil não entrou no roteiro (melhor nem pensar). O lema é "entre nu e saia vestido". E não é de hoje: vem desde 2010. Uma tradição, portanto. A recompensa: duas peças quase de graça para os doidos e doidas de plantão. Abaixo um videozinho-amostra de uma loja da marca na Bélgica.


Mas o ponto é: a menos que entre as recompensas esteja um terno top de linha nível Zegna ou uma bolsa top de linha nível Louis Vuitton (que fique claro que não conheço as credenciais da Desigual), o que passa na cabeça de um ser humano ficar horas numa fila de sunga ou biquíni, em pleno inverno europeu, para aproveitar uma promoção de loja de roupas? Batendo papo e sorrindo, prontos para serem vistos pelo mundo inteiro.

À princípio, quando li a manchete da notícia, já estava pronto para criticar. Uma apelação, pensei. Mas, lendo o texto completo e analisando melhor o caso, acho que foi uma boa sacada. O perigo é a linha entre a criatividade e a diversão, a apelação e o mau gosto. É muito tênue. Todo cuidado é pouco porque é a imagem da marca que está em jogo. Uma dosagem errada e pronto: muitos anos de construção da marca podem ir para o ralo por meio de uma ambição desmedida do marketing / agência.

Neste caso, entendo que não descambou para a apelação (mas faltou pouco). Foi ao mesmo tempo divertida e desafiante. E parece-me que bem comunicada. Pipocou nas mídias sociais. Acho que muitos que não conheciam a marca (como eu), passaram a conhecê-la. Só espero que a loja não tenha frustrado nenhum dos malucos masoquistas, faltando produtos. Aí, seria o fim.

Mas a questão continua: o que passa na cabeça desse povo? Com a palavra, os observadores mais atentos do complexo comportamento humano.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Artigo: Perto do fato de ainda estar meio que longe de tudo

Tomarei como eixo principal deste artigo a busca pela inovação comercial relevante em produtos e serviços. Em outras palavras, algo percebido como novo e importante pelo mercado. O adjetivo útil também não pode faltar. Muito se tem refletido sobre conceitos e metodologias, e cases de sucesso e fracasso são constantemente apresentados. A bibliografia é extensa. A magnitude e a pertinência do tema sugerem uma espécie de Santo Graal do business (perdoem-me o exagero na analogia).

O grande desafio, em resumo, é entender e decifrar as necessidades ocultas dos potenciais consumidores. Nossa dificuldade é uma característica inerente aos seres humanos: a incapacidade de expressar com clareza o que precisam ou desejam. Isso quando reconhecem (tem consciência) que precisam ou desejam algo. As ferramentas convencionais de pesquisas de mercado pouco contribuem nesse processo. Steve Jobs, portanto, tinha razão (mais uma vez).

Ciente da contenda, minha proposta aqui é eleger uma área coordenadora dos esforços para revelações constantes de insights de negócios. Penso que Inteligência de Mercado – ou sua correlata na organização – poderia cumprir bem esse ofício. Mas antes, é prudente que separemos o portfólio de IM em ferramentas convencionais e não-convencionais. Assim, compreenderemos melhor, inclusive, o significado da palavra coordenação neste contexto.

Sem maiores delongas (não é o nosso foco), as ferramentas convencionais de Inteligência de Mercado procuram cobrir, basicamente, três pilares: mercado, clientes e concorrência. Diversos propósitos e metodologias derivam desta compreensão. Podemos lembrar alguns deles aqui como as auditorias de performance da marca, as pesquisas de satisfação e lealdade, os estudos de perfis de concorrentes, os mapeamentos de mercado, as análises de percepção dos clientes/consumidores (checagem do branding), o uso do CRM como base para ações táticas, tratamento de leads e retenção de clientes, as consultas dinâmicas de fontes externas jornalísticas (clipping), entre outras inúmeras possibilidades.

Em síntese, são todos reconhecidamente importantes e necessários para o monitoramento adequado dos diversos fatores que compõe o cenário mercadológico em que a marca atua. Alguns movimentos inclusive podem ser previstos com certa razoabilidade e até insights interessantes podem ser extraídos deles. Mas então, qual é a grande limitação que se impõe em nossa nobre ambição na caçada por inovações comerciais relevantes (e constantes)?

As ferramentas convencionais de Inteligência de Mercado são, em essência, de natureza histórica. Pouco podem fazer para desvendar e traduzir a mente dos consumidores (suas necessidades ocultas e não-expressas, lembram?). Suas estruturas, em linhas gerais, sistemáticas e fundamentas em fatos concretos dificultam viajar em terrenos desconhecidos, virtualmente significativos no campo da inovação. Nossa fuga, assim, seria para as pesquisas de mercado inovadoras (ou não-convencionais). Aquelas de natureza mais abstrata, espontânea e aberta. 

Pesquisas de mercado inovadoras. Talvez não seja esta a melhor nomenclatura. Mas seguiremos em frente na falta de um termo mais original. O importante é organizar de alguma forma (e sem a obrigatoriedade de se “amarrar” a receitas prontas), um processo permanente de fluxo de ideias e sugestões no qual a participação de todos os stakeholders é condição sine qua non para o sucesso nesse campo. Aqui fecha, portanto, a defesa da tese de um trabalho habilidosamente coordenado a partir de uma área, teoricamente, com visão mais abrangente do mercado. 

Obviamente, a composição de uma doutrina como esta requer investimentos e apoio por parte da cúpula da empresa. Questões mais operacionais, porém igualmente necessárias, como a definição do sistema de informações e fluxo de comunicação, a metodologia de avaliação e classificação das ideias, a política de incentivos, o cruzamento com outras fontes de pesquisa, a estruturação didática para a capacitação e treinamento das equipes (em especial, a área de vendas), os recursos necessários, as metas propostas, os procedimentos de monitoramento, acompanhamento dos projetos, etc., constituem parte essencial para o sucesso da missão. Assim, Inteligência de Mercado tem a oportunidade de liderar o novo.

Cases de sucesso não faltam. Não necessariamente liderados pela área de Inteligência de Mercado, mas o conceito em si já foi há muito tempo compreendido por empresas como a 3M (ou algum consumidor disse claramente à empresa que precisava de um papelzinho colante para anotar pequenos recados ou de um par de protetores auriculares para diminuir ruídos e assim dormir melhor?), a Apple (ou algum consumidor disse claramente à Steve Jobs que precisava de um aparelho do tamanho de um caderno e com basicamente as mesmas funcionalidades do Iphone e do Mac Pro?), a Netflix (ou algum consumidor disse claramente à empresa que precisava de um portal na internet para acesso direto à diversos filmes e seriados por meio de uma pequena taxa mensal?), a Southwest Airlines (ou algum consumidor disse claramente à empresa que precisava de mais roteiros regionais de negócios e não ligava muito para todo o aparato oferecido pelas grandes companhias aéreas?), a Curves (ou alguma consumidora disse claramente à Gary Heavin que precisava de uma academia só para mulheres?) e o Linkedin (ou algum executivo disse claramente à Reid Hoffman que precisava de uma rede social só para contatos profissionais, desenvolvimento de networking e busca por empregos?).

E existem muitos outros exemplos de sucesso por aí para reforçar que, muitas vezes, apenas uma participação mais ativa e democrática dos stakeholders da marca, uma maior proximidade com os clientes/consumidores e um olhar aguçado sobre as suas reais necessidades e desejos são mais produtivos dos que as chamadas pesquisas convencionais. Pelo menos, quando se trata de inovações comerciais relevantes, elas não captam as nuances de que tanto precisamos.

Sensato salientar ainda que qualquer novo produto ou serviço, proveniente de um processo de inovação aberta e sob eventual liderança de Inteligência de Mercado, deve estar alinhado à essência da marca, ou seja, a sua missão, visão e valores. Não se deve tolerar inovação por inovação. A marca deve ter alguns princípios que precisam ser respeitados. E o tradicional Marketing, ansioso por entrar em campo, também terá a oportunidade de utilizar todo o seu vasto portfólio de comunicação e promoção para fortalecer os benefícios de um processo de inovação mercadológica em sintonia com os verdadeiros e autênticos anseios dos consumidores. Mas aí já é outra história.

ah...o título: inspirado em David Foster Wallace, falecido escritor norte-americano. Antes de tudo, um grande inovador...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Keep Calm and Carry On

Originário da segunda guerra mundial - quando a Inglaterra passava pelos momentos mais tensos frente ao perigo nazista - esse fantástico slogan "não-publicitário" preenchia milhares cartazetes impressos a pedido de um certo ministro inglês e que, não se sabe o porquê, não foi distribuído à população e ficou esquecido em um porão de Londres por décadas. Uma autêntica joia rara. Não os cartazetes. O slogan, claro. Simples mas profundo, direto mas flexível, é perfeito para inúmeros cenários e ocasiões. Até a sonoridade funciona bem. Inclusive, para a chegada de um novo ano. Happy 2014!


sábado, 21 de dezembro de 2013

Itaú

Na eleição dos melhores de 2013 pelo site Mundo do Marketing, a ação que eu mais gostei foi a do Itaú, ativando o patrocínio ao Rock in Rio 2013. Ao mesmo tempo simples e muito criativa, é elegante na abordagem, estimula a interatividade com as pessoas e coloca a arte (neste caso, a música) em primeiro lugar, antes até da marca, que aparece na dosagem certa. Também é coerente com a aspiração do banco em ser um meio para ajudar a mudar o mundo e utiliza as redes sociais para multiplicar a mensagem. Em suma, uma bela construção.



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Pepsi

Posicionada há muitas décadas como uma marca jovem, desafiadora e com uma certa dose de rebeldia, a Pepsi se notabilizou também por comerciais memoráveis, especialmente nos Estados Unidos. Lá, o terreno era favorável à prática da livre publicidade alinhada à sua proposta de marca e, de quebra, cutucando a concorrência. No Brasil, seria impensável esse confronto tão aberto. Seguindo fielmente a filosofia do velho Al Ries na qual, se não puder ser a líder, procure ser o oposto à ela ou crie uma nova sub-categoria de produto, "batize-a" rapidamente e reforce-a com muitas ações de marketing, a Pepsi vem se mostrando muito disciplinada e bastante competente nessa estratégia. Por isso, tem uma enorme legião de fãs e fervorosos defensores, mesmo que não sejam a maioria. Sobre os comerciais, destaco três em especial, entre centenas. São bem antigos, mas incrivelmente criativos e o melhor: dizem muito pouco ou nada, e conseguem passar a mensagem (ou melhor, o posicionamento), brilhantemente. Pior para a Coca-Cola, que não tem como conquistar essa imagem desenvolvida pela Pepsi na mente das pessoas. Eu que não ando tendo muita paciência para a publicidade brasileira nos últimos anos (controle remoto é o meu melhor aliado), rendo as minhas homenagens a essas produções norte-americanas de altíssima qualidade. Só vejo relevância no futuro em campanhas promocionais ou publicitárias, caso sejam interativas, envolventes e/ou extremamente criativas e marcantes. Do contrário, não daremos a menor bola e nem lembraremos da marca anunciante. Pena que essas campanhas tem sido tão raras ultimamente...





quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

United

No penúltimo post, coloquei um exemplo de ação promocional original e criativa que ajuda na construção positiva de uma marca. Agora, também no segmento aéreo, coloco um exemplo de descuido (e posterior descaso) que joga contra a marca. E na era das redes sociais e do virais então, é quase fatal. Não é exatamente um acontecimento recente (senão me engano, é lá pelos idos de 2009) e o seu conjunto de protestos, na maioria criados e liderados pelo cantor norte-americano Dave Carroll, já foi visto por milhões de pessoas na internet. Mas vale a pena rever alguns deles. Mais do que o próprio evento em si, infelizmente tão comum em empresas de diversos segmentos, o destaque fica por conta da criatividade, do bom-humor e do cuidado na produção utilizados no desenvolvimento dos protestos, alguns criados por internautas. Colocarei aqui dois clipes liderados por Carroll em "homenagem" à United, que tratou o seu violão de quase R$ 10.000 como se fosse uma bola de futebol americano e ignorou tentativas de acordo "pós-quebra" do instrumento com o cantor. Casos como esse reforçam o poder de barganha que os consumidores vem conquistando com o crescimento da internet e das redes sociais. E, para as empresas - de qualquer segmento, fica a lição: tratar com atenção e empenho qualquer reclamação de quem quer que seja. Isso não significa conceder 100% de razão aos clientes, mas somente uma boa dose de consideração e respeito pode evitar danos gigantescos à imagem e à reputação da marca. Neste caso, a United virou alvo de piadas mundo afora. Não teria sido mais fácil (e menos custoso) ressarcir o cantor com um bom pedido de desculpas assinado pelo presidente da empresa? Aos interessados em conferir mais "produções" baseadas nessa pisada de bola da United, sugiro procurar no YouTube a seguinte expressão: United Breaks Guitars. Divirtam-se!





terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Vasco da Gama e Nissan

Quando uma marca decide patrocinar um piloto de automobilismo, um clube de futebol, uma peça de teatro, um documentário sobre meio-ambiente, um livro de fotografias sobre uma tribo indígena, um quadro social em um programa popular de televisão ou uma cena com a protagonista da novela, ela tem somente um objetivo: associar a sua marca à alguns atributos do patrocinado. Em outras palavras, comunicar à sociedade que a marca comunga de princípios comuns com o beneficiário do patrocínio.


Quando a Nissan percebeu que alguns dos seus valores estavam distantes do Clube de Regatas Vasco da Gama, tomou a decisão correta: cancelou rapidamente o patrocínio que mantinha com o clube carioca. De forma alguma, gostaria de ver a sua logomarca envolvida à atos de violência e selvageria praticadas pelos torcedores organizados do Vasco e, pior, com fortes suspeitas de serem sustentados pelos dirigentes do clube. O que a Nissan pretendia, imagino eu, era vincular a sua marca a um clube tradicional e extremamente popular no Brasil, com um histórico de muitas conquistas esportivas (não só no futebol) e conhecido, desde os seus primórdios, por abrigar gente de todas as raças e cores. Talvez o primeiro clube verdadeiramente democrático do Brasil. Mas de alguns anos para cá, parece que a diretoria do Vasco se perdeu e, com isso, perde também grandes oportunidades de desenvolvimento sustentável do clube. Fica aí o exemplo de como as marcas devem ser inflexíveis no respeito e no cumprimento total do seu conjunto de princípios. Estes não devem ficar somente enfeitando as paredes da recepção. Devem ser exercitados na prática. Parabéns à Nissan!



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

WestJet


De tirar o chapéu a campanha publicitária natalina da WestJet. Fugindo dos "clichés" de sempre nessa época, a empresa resolveu fazer diferente. Nada de cupons, sorteios, descontos, leve mais-pague menos, etc. Não que não sejam eficientes mas, definitivamente, carecem de criatividade, inovação e grande apelo. Assim, a empresa preferiu uma campanha que proporcionasse uma experiência inesquecível e emocionante com a marca. Um vôo escolhido aleatoriamente, um display eletrônico e interativo no embarque dos passageiros, um Papai Noel azul (gostei da sacada com a cor predominante do logo da empresa), pedidos feitos pelos clientes na base da brincadeira e da descontração ao bom velhinho, e a surpresa de terem sido literalmente atendidos no desembarque do destino do vôo. Ah, mas e se fosse uma Ferrari? Tudo bem! Afinal, como competir com mais de 15 MILHÕES de visualizações em apenas 3 dias no YouTube? Aposto que você não conhecia essa marca de companhia aérea canadense. Nem eu! Mas agora nós e boa parte do mundo conhecemos. O investimento valeu de longe. Saudações aos que tem coragem! Como é bom quando o Marketing aparece e dá o seu recado aos incrédulos....

domingo, 8 de dezembro de 2013

Mentos

Criativa e moderna, a ação batizada de "Táxi de Mentos" reforça o conceito de "Surpreenda o seu dia com Mentos" que a marca vem trabalhando nos últimos anos. Ao proporcionar a possibilidade de escolher "às cegas" um passeio diferente pela cidade assim que entram no Táxi - conduzido pelo comediante Marco Luque - os passageiros mudam completamente o rumo original da corrida e partem para um dia realmente mais do que diferente, surpreendente. Tem de tudo: de massagem em spa à passeio de ferrari. A divulgação ocorre pelas principais redes sociais da marca, destacando-se o Facebook e o YouTube, além de uma parceria que abre os vídeos do Porta dos Fundos. Gosto pela criatividade e originalidade, pela simplicidade e coerência com a essência da marca, pela escolha do ator, pelo uso inteligente da redes sociais e, claro, e principalmente, pela própria experiência em si patrocinada pela Mentos. É certo o aumento do "buzz" da marca e, consequentemente, das vendas. A agência é a Banco de Eventos. Vale a pena conferir!





Está rolando. Abaixo o vídeo com uma amostra das ações (não consegui baixar do YouTube):
http://www.youtube.com/watch?v=GYfZXadMxAQ

Papa

Além de gosto duvidoso - ao associar futebol com religião - é um comercial de mau caráter ao vincular um discurso que o Papa fez em sua passagem pelo Rio à seleção argentina de futebol, que participará da Copa do Mundo de 2014. Obviamente, nada a ver uma coisa com a outra. A marca e a agência perderam uma grande chance de ficarem quietas (muitas vezes é melhor para a própria marca). Alguns (pseudos) criativos de agência precisam de umas "coleiras" de vez em quando...


À propósito, os autores dessa bobagem:
Marca: TyC Sports (canal a cabo argentino)
Agência: Y&R

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

HugMe

Muitas empresas ainda não se atentaram para as mídias sociais como plataforma moderna de comunicação, cenário propício para a prática do branding e fonte de constantes "insights" para orientar as estratégias e as ações das marcas no mercado. Muitas também ainda não exploram devidamente o potencial de opiniões, positivas ou negativas, que as mídias sociais proporcionam. O fato é que estão falando da sua marca na rede neste momento e você não tem, e nunca terá, controle sobre isso. Com a internet, sai o discurso e entra a conversa. As marcas precisam saber lidar com esse contexto. Neste aspecto, muitas ainda parecem "presas" aos canais de interação tradicionais com os consumidores. Não que os velhos conhecidos SAC, 0800, fale conosco, e-mail, vendedores, etc., não sejam importantes. São, mas vem perdendo importância relativa. Obviamente continuarão existindo, mas terão de coexistir com os crescentes subsídios oferecidos pelo Facebook, Twitter ou Reclame Aqui, por exemplo. A junção de todos esses elementos e, claro, com o apoio das metodologias tradicionais de pesquisa, o conjunto de análises sobre a mente, o perfil e o comportamento dos consumidores ficaria, certamente, mais rico e denso. O que chama a atenção, todavia, é que parece haver um fenômeno crescente no sentido de os consumidores simplesmente ignorarem os canais de comunicação oferecidos pelas marcas e partirem para colocar os seus comentários diretamente nas mídias sociais. Não podemos ignorar esse movimento, digamos, sociológico. De positivo, entendo, e descontando os já esperados que agem de má-fé - infelizmente - em linhas gerais, a opinião vem pura, sem interferência de moderadores de institutos e/ou marcas, sem edição, sem formulários preenchidos friamente, sem fronteiras regionais, mais rápido e mais natural, como num bate-papo de bar. Enfim, uma bagunça que veio nos ajudar. Não é novidade que existam empresas que oferecem monitoramento e relatórios "quali" e "quanti" sobre o que andam falando sobre as marcas nas mídias sociais. Novidade, no entanto, é o novo serviço que será oferecido site Reclame Aqui a partir de amanhã, 6 de dezembro: Trata do CRM Social HugMe. Somente para empresas e comercializado por licenças, o software promete reunir dados acumulados no seu histórico e agregará também reclamações feitas em outros canais, unificando filtros como origem e região da reclamação. Pelo que parece, uma ferramenta preciosa para empresas preocupadas em entender a atender melhor aos seus clientes. Se tiverem juízo, algumas operadoras de celular adquiririam muitas licenças. Vale a pena conferir!



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Amazon

Eu não duvido! Principalmente vindo de Jeff Bezos. A previsão é para 2017, mas ele arrisca que pode sair antes. Também não duvido. Seria somente para pequenas encomendas em um raio de 15 km e o grande objetivo é a entrega em 30 minutos. Sim. 30 minutos. É a Amazon cada vez mais se "apossando" da filosofia "qualquer coisa, em qualquer lugar, a qualquer hora, em 30 minutos". Não vai ter pra ninguém. Incrível!



Foto do Dia

Raridade! O ano era 1979.
Não se fazem mais slogans como antigamente...


Adidas

Li hoje nos sites do Mundo do Marketing e do UOL. Inspirada na percepção global de que o "brasileiro já nasce com a bola nos pés" e sendo parte de um conjunto de estratégias para o reforço da divulgação da bola oficial para a Copa de 2014, a Adidas vai oferecer a todos os bebês nascidos no Brasil, no dia 3 de dezembro de 2013 (amanhã, portanto), e data oficial do lançamento do produto pela marca, um exemplar da bola Brazuca, nome, aliás, vencedor em uma eleição entre os brasileiros (gostei do nome, simples e com apelo popular, como deve ser). Para tanto, os pais devem apresentar a certidão de nascimento das crianças em postos localizados nas cidades-sede do evento nos dias 6 e 7 de dezembro. Em resumo, achei bacana demais. Ação criativa e bem coerente com a tradição brasileira no esporte, sem "forçar a barra" (como seria se uma ação desse tipo fosse na África do Sul, por exemplo). E com bastante potencial para geração de mídia espontânea. Além de, certamente, apresentar um custo bastante competitivo considerando os recursos de uma marca como a Adidas. Enfim, um gol de placa da marca. Vamos acompanhar a repercussão.